Em nome da magreza

Cena que Ellen (Lily Collins) está se pesando. Filme 'O Mínimo Par Viver'




Os padrões de beleza são, na verdade, uma construção social, isto é, estão ligados à uma concepção cultural do belo. Se por um lado, durante o Renascimento, o ideal de beleza estava representado num corpo cheio e curvilíneo, por outro, atualmente, corpos magros e atléticos são os que ditam a regra. Por conta disso, a preocupação desmedida com a imagem vem causando diversos impactos na sociedade. Nesse sentido, gostaria de trazer para esse contexto, não só a preocupação com a imagem, mas a preocupação da imagem que reflete um corpo magro e quais os riscos que isso pode acarretar para a vida.

O filme O Mínimo Para Viver, lançado em 2017, mostra o universo de uma garota chamada Ellen que foi diagnosticada com a anorexia nervosa. A busca por uma magreza exagerada pode parecer “frescura” aos olhos de quem não entende sobre o assunto, todavia, para quem vive, é algo que pode esconder inúmeros significados. O desenvolvimento de transtornos alimentares possuí raízes de caráter psicológico, entre eles pressão social e familiar, bullying, ansiedade, depressão e até mesmo a constante exposição nas redes sociais, como o Instagram, por exemplo.

Hoje observo uma sociedade que muito se fala em saúde mental em setembro, mas nada se faz em outubro, novembro, dezembro e os demais meses. É inimaginável pensar em qual o tamanho do estrago que frases como “Nossa, você engordou muito”, “Se você fosse magra, esta roupa ficaria tão bonita”, “Você é tão linda de rosto”, podem causar.

O anseio por ter uma imagem esteticamente aceita e admirada se torna uma obsessão. E nessa disputa com a balança vale tudo, provocar vômitos, tomar laxantes, decorar o valor calórico dos alimentos, ficar longos períodos sem se alimentar. Só o que não vale é engordar, só o que não vale é não estar magra o bastante. No filme, a personagem Ellen, interpretada por Lily Collins, lida com isso diariamente, passa por inúmeros tratamentos e já se encontra sem perspectivas de melhora; a vida dela se esgota na medida em que os ponteiros da balança descem.

Assim como no drama, muitas Ellens vão se afundando e nada é feito. É lamentável perceber a participação da mídia nesse naufrágio. Enquanto o bullying com corpos acima do peso continuar e os transtornos alimentares não serem tratados como um problema sério e real, muitas Ellens ainda serão sacrificadas em nome da magreza.

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