A fotografia em favor da arte

Fotógrafa comenta sobre a necessidade de naturalizar a nudez



A arte surgiu desde o Neolítico com a arte rupestre, onde o homem contava histórias, marcava e se comunicava com símbolos que representavam a realidade. A fotografia surge mais tarde como uma forma de registrar memórias. Hoje em dia ela é vista também como arte, carregada de significados  profundos com sentimentos. já a fotografia autoral é uma maneira de expor o artista, além de buscar mostrar a forma que ele vê e questiona o mundo. E para ilustrar melhor o assunto, a artista multimídia, performer  e fotógrafa, Flávia Baxhix, comenta um pouco mais sobre.

Flávia Baxhix - Alma Avant-Garde

Muito se fala em que momento a fotografia se exime de seu papel como ofício e passa a ser enxergada como arte, ganhando espaço em galerias e até mesmo museus. Segundo Flávia, que teve suas obras expostas no museu do Louvre em Paris, a fotografia só passa a ser arte quando se torna uma ferramenta para o indivíduo expressar suas questões pessoais. “A fotografia é a ferramenta para a arte.” Conclui ela.

A artista que em seus trabalhos costuma abordar temáticas sobre a passagem do tempo, a efemeridade da vida, reflexões acerca da liberdade e até mesmo do caos e da dor, comentou um pouco sobre como funciona seu processo criativo. Segundo ela, a criatividade  vem de um processo diário, entretanto os temas que ela desenvolve partem de questões que ela mesmo carrega. “Temos tendência a renegar essas questões que são naturais do ser humano”, ressalta a artista. Além disso, ela revela que a música, as leituras e tudo que ela consome em seu dia a dia são importantes para o desenvolvimento do seu trabalho, mas as pessoas que são o ponto principal, pois de acordo com a sua reflexão: pessoas são poços de inspiração.

Um outro ponto, que chama muito a atenção nas obras de Flávia, é a maneira como é caracteriza o nu. Em “Estudo da sensualidade”, que está presente em seu portfólio, ela objetiva levar ao público a possibilidade de um olhar mais lírico e natural do corpo, afastando a nudez de uma ideia pornográfica. Além desse tipo de exposição, Flávia enfatiza que conversas e encontros que promovam a liberdade de expressão auxiliam na desconstrução do nu. Segundo ela, o nu carrega um peso de religião, de costumes, de antropologia e é necessário desmistificar isso.

Fragmento de Zéphyr Enlevent Psyché, Henry-Joseph Rutxhiel, 1814 La Masque, Ernest Christophe, 1876

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